Postado por [email protected] em 17/set/2026 -
Até julho, o volume de resíduos retirados pela Ambiental Ceará das estruturas de tratamento de esgoto já equivale a cerca de 65% de todo o material removido no ano passado.
Fraldas, absorventes, sacolas plásticas, brinquedos e eletrônicos são alguns exemplos de resíduos descartados de forma inadequada em ralos, vasos e pias. Esse material percorre diariamente as estruturas da rede de esgotamento sanitário, podendo gerar entupimentos e aumentar a demanda por manutenção na operação do tratamento de esgoto.
Nas 24 cidades atendidas pela Ambiental Ceará, empresa parceira da Cagece na operação do esgotamento sanitário, de janeiro a julho de 2026 já foram retiradas mais de 190 toneladas de resíduos do processo de tratamento em Elevatórias e Estações de esgoto. Esse volume corresponde a aproximadamente 19 caminhões-caçamba cheios de lixo.
O número também já representa cerca de 65% do total de resíduos registrados em todo o ano de 2025, quando foram retiradas 294,68 toneladas nessas estruturas.
“Muito mais do que um resíduo que precisa ser retirado, o descarte inadequado pode afetar diretamente a operação do sistema e gerar impactos para a população. Quando o lixo chega às bombas e aos demais equipamentos, causam sobrecarga, interrupções do sistema e aumentam a necessidade de reparos, além de causar extravasamentos de esgoto na rua e nas casas”, explica o gerente executivo de Operações da Ambiental Ceará, Marco Aurélio Assoni.
Além dos resíduos sólidos, entre os principais “vilões” descartados na rede de esgoto, está o óleo de cozinha, como explica a professora doutora e pesquisadora em Recursos Hídricos, da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Celme Torres. “O óleo não se dilui em água, quando esfria se solidifica e forma crostas nas tubulações, causando entupimentos completos e extravasamentos. Isso é grave na rede e nas estações de tratamento, pois dificulta as etapas do tratamento”, enfatiza.
A especialista reforça que a universalização do esgotamento sanitário também passa pelo bom uso, por parte da população, da rede de esgotamento sanitário: “O saneamento também se faz com hábitos conscientes e isso começa em cada residência”, destaca Celme Torres.

O que pode e o que não pode ir para o esgoto?
Sabendo que o problema pode começar em casa, é importante que a solução também comece. Pequenas atitudes diárias contribuem para o bom funcionamento do sistema de esgotamento sanitário e ajudam a evitar transtornos no cotidiano, além de contribuir para a preservação de rios e praias, principalmente ajudando a melhorar a balneabilidades dos mares. Confira o que pode ou não ser direcionado às tubulações de esgoto:
Pode – Águas resultantes do uso doméstico, como: águas de banho, pia da cozinha, máquina de lavar e descarga do vaso sanitário.
Não pode – Óleo de cozinha, gordura, absorventes, fraldas, preservativos, cotonetes, fio dental, cabelos, papel e embalagens, restos de comida, tecidos, medicamentos, areia, borra de café, lixo em geral.
Atenção: O óleo de cozinha deve ser armazenado em recipiente fechado como garrafa pets ou de vidro, e destinado a pontos de coleta apropriados.
Um erro comum: A água da chuva também não deve ser direcionada à rede de esgoto, pois pode causar sobrecarga e extravasamentos, especialmente durante os períodos chuvosos. As calhas das residências precisam ser direcionadas à rede de drenagem ou diretamente para a rua, caso seu bairro não disponha de sistema de drenagem.